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O professor de ciências Kent Hups descobriu na Formação Hell Creek, nos Estados Unidos, o primeiro rastro contínuo de pegadas atribuído a um Tyrannosaurus rex já registrado pela ciência. O achado, revelado em estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, impressionou pesquisadores por preservar impressões diretas dos movimentos de um predador vivo de 66,5 milhões de anos atrás.
As escavações iniciais na região, que abrange áreas dos estados de Montana, Wyoming, Dakota do Norte e Dakota do Sul, revelaram duas marcas gigantescas de cerca de 90 centímetros de comprimento por até 75 centímetros de largura. A análise anatômica indicou três dedos finos com o central mais longo, formato característico dos pés do T. rex e incompatível com o de outros grandes dinossauros da área, como o herbívoro Edmontosaurus.
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A suspeita inicial ganhou força quando o paleontólogo Tyler Lyson, curador do Museu de Natureza e Ciência de Denver e coautor da pesquisa, projetou a trajetória do animal e marcou no solo onde os passos seguintes deveriam estar. A equipe escavou o local e encontrou a terceira e a quarta pegadas. Durante o verão recente, os cientistas localizaram ainda uma quinta marca, confirmando de forma definitiva a existência da sequência de passos do carnívoro.
Além da raridade do achado na América do Norte, a sequência permitiu calcular pela primeira vez o comprimento real da passada de um tiranossauro, estimado em cerca de 4 metros entre as quatro marcas principais. Com base nessa distância, os pesquisadores concluíram que o predador caminhava a uma velocidade entre 5,6 km/h e 7 km/h no momento em que pisou na lama macia da antiga planície costeira.
Especialistas destacam que a descoberta oferece dados comportamentais que esqueletos fósseis jamais conseguiriam fornecer. O paleontólogo Anthony Romilio, da Universidade de Queensland, ressaltou que o rastro registra poucos segundos da vida do animal em seu ambiente natural. Já o professor Thomas Holtz Jr., da Universidade de Maryland, ponderou que o ritmo observado reflete apenas um deslocamento em terreno úmido, distante da velocidade máxima do dinossauro.
O Museu de Natureza e Ciência de Denver planeja remover três das pegadas localizadas na Dakota do Norte para realizar análises laboratoriais aprofundadas, em busca de vestígios de tecidos moles e impressões da pele do animal. O estudo abre caminho para que paleontólogos reavaliem formações rochosas semelhantes na expectativa de mapear novas trilhas pré-históricas.
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