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As águas europeias registraram os meses de verão mais quentes desde o início dos registros por sensores de satélite em 1982, segundo análise da Reuters sobre as temperaturas da superfície do mar. O fenômeno reflete o impacto direto das emissões de gases de efeito estufa na elevação das temperaturas globais, com os oceanos absorvendo a maior parte do excesso de calor retido pelo planeta.
Especialistas alertam que as ondas de calor marinhas estão se tornando mais frequentes e intensas, transformando profundamente os ecossistemas do continente. Espécies tradicionais que sustentam comunidades costeiras há gerações começam a desaparecer, enquanto espécies desconhecidas chegam em massa a águas que se tornaram mais hospitaleiras.
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No Golfo da Biscaia, situado entre a costa atlântica da França e da Espanha, a temperatura média entre junho e agosto alcançou 21,4 °C, ficando mais de 2,4 graus acima da média registrada entre 1991 e 2020. Medições da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontaram um pico de 23,2 °C em 13 de agosto, a marca mais alta da era dos satélites na região.
O impacto biológico é severo e visível na costa norte da Espanha, onde pesquisadores estimam que cerca de 95% dos grandes bancos de algas marrons desapareceram desde 2010. José Manuel Rico Ordas, professor de ecologia marinha na Universidade de Oviedo, aponta que as algas forneciam alimento e abrigo essenciais para a pesca artesanal local, que agora enfrenta sérias dificuldades.
Enquanto isso, no Reino Unido, pescadores relatam cenários distintos impulsionados pelo aquecimento das águas, como a proliferação sem precedentes do polvo-comum no Canal da Mancha. Dados da Organização de Gestão Marinha do Reino Unido mostram que as capturas saltaram para mais de 3.000 toneladas neste ano, em comparação com menos de 30 toneladas anuais antes de 2025.
Embora o aumento do polvo tenha gerado novas oportunidades comerciais no sul da Europa, entidades como a Marine Biological Association alertam para prejuízos expressivos na pesca de mariscos locais, estimados em cerca de 10 milhões de libras. A transformação dos mares europeus exige adaptações urgentes de governos, cientistas e comunidades inteiras que dependem da atividade pesqueira para sobreviver.
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