Espaço reservado para anúncio
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica intensificou a pressão sobre a Meta ao manter uma multa diária de R$ 250 mil contra a big tech e o WhatsApp. A medida faz parte de um inquérito em andamento que investiga as recentes mudanças operacionais e comerciais planejadas para a ferramenta de mensagens voltada a empresas. Com a nova diretriz, a companhia pretende restringir o uso da API oficial por fornecedores de inteligência artificial e alterar a política de cobrança pelo serviço prestado.
A investigação do Cade começou após uma representação formal apresentada em novembro de 2025 pelas empresas Luzia e Zapia, que atuam no mercado de assistentes de inteligência artificial. Na ocasião, as companhias contestaram as novas regras que entrariam em vigor no início de 2026, argumentando que a limitação de acesso prejudicaria concorrentes e beneficiaria diretamente a ferramenta própria da Meta, a Meta AI. Em janeiro, o tribunal do órgão antitruste suspendeu os termos contestados e abriu o inquérito para apurar possível abuso de posição dominante.
Espaço reservado para anúncio
Como parte da instrução do processo, o Cade solicitou informações detalhadas a mais de 40 empresas de diversos setores da economia brasileira. A lista de companhias consultadas inclui grandes bancos, companhias aéreas, aplicativos de delivery, operadoras de telecomunicação e empresas de saúde e tecnologia. Entre os nomes que já enviaram respostas ou aguardam envio estão Azul, Nubank, Amazon, Vivo, Magazine Luiza, Itaú, Rappi, Americanas e Tim, além de plataformas de atendimento como Blip e Hi Platform.
Nas petições enviadas ao órgão regulador, as empresas relataram diferentes níveis de dependência em relação à ferramenta de mensagens. Enquanto algumas corporações apontaram impacto marginal ou nulo por utilizarem o canal de forma complementar, outras destacaram preocupações severas com os custos operacionais, a segurança e a distribuição de serviços. Contudo, grande parte das informações detalhadas sobre custos, volumes de atendimento e impactos financeiros foi mantida sob sigilo pelas companhias, o que dificulta o cálculo preciso do efeito total das medidas.
A partir de 1º de outubro de 2026, a Meta planeja acabar com a gratuidade das respostas de serviço enviadas em até 24 horas pelas empresas que utilizam a interface oficial do WhatsApp Business. Segundo as informações reunidas no processo, a empresa passará a cobrar R$ 0,03 por mensagem enviada aos clientes. Atualmente, as companhias podem responder sem custos durante a janela inicial de um dia após o contato do consumidor, arcando com tarifas apenas quando iniciam a conversa de forma ativa.
Essa alteração tarifária e estrutural pode provocar uma onda de reajustes nos custos de atendimento ao consumidor em vários setores do mercado nacional. Especialistas apontam que o encarecimento do canal pode forçar empresas a migrar parte de sua comunicação para alternativas como chamadas telefônicas e aplicativos próprios. Em sua defesa no processo, a Meta argumentou que os chatbots de inteligência artificial poderiam sobrecarregar a infraestrutura tecnológica da plataforma, que não teria sido projetada originalmente para esse tipo de uso em massa.
Espaço reservado para anúncio





