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O preço da arroba do boi gordo no mercado paulista marcou o maior patamar nominal da história na última segunda-feira, alcançando R$ 372,95. A alta de 7,8% em relação ao início do mês anterior reflete diretamente uma baixa oferta de animais para abate combinada com uma demanda interna bastante firme, conforme apontou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A retração na oferta de animais ao mercado tem raízes diretas nas incertezas econômicas e comerciais geradas pelas tarifas impostas pela China às importações da proteína brasileira. Esse cenário de cautela internacional acabou desestimulando muitos confinadores a colocar novos lotes de gado no coxo nos meses anteriores.

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Segundo o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, vinculado à Esalq/USP, o período entre junho e julho foi marcado por essa retração preventiva, cujos reflexos aparecem agora na escassez de animais prontos para o abate. Além disso, as fortes exportações de gado vivo registradas ao longo de 2026 também drenaram parte dos animais jovens que sustentariam a cadeia produtiva local.

Do lado da demanda, o pesquisador destacou que o mercado interno brasileiro segue operando em patamares elevados de consumo. Eventos como a realização de eleições e a Copa do Mundo ao longo do ano ajudaram a injetar dinheiro na economia e a sustentar a procura por proteína animal, mesmo em um cenário de inadimplência.

No comércio internacional, a China começou a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre as remessas de carne bovina do Brasil a partir de 1º de outubro, após o país atingir a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. A medida restritiva faz parte de salvaguardas estabelecidas pelo governo chinês para proteger sua indústria local nos anos de 2026, 2027 e 2028.

Apesar dos entraves com o principal comprador, o Brasil manteve volumes consistentes de exportação para outros mercados alternativos, com destaque para os Estados Unidos. A expectativa da associação da indústria Abiec é de que novas negociações e embarques para preencher a próxima cota com tarifa reduzida de 12% comecem a ganhar força já no mês de novembro.

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