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O sistema elétrico brasileiro não deve contar com grandes novos projetos de hidrelétricas no curto e médio prazo. A avaliação foi feita por João Guillaumon, vice-presidente de Clientes e Comercialização da Auren Energia, durante o evento CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, realizado em São Paulo.

Segundo o executivo, as usinas já existentes precisarão assumir um papel cada vez mais central na operação do sistema. Essa necessidade surge à medida que avança a participação de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, que dependem diretamente das condições climáticas para gerar eletricidade.

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Guillaumon destacou que as hidrelétricas possuem a capacidade crucial de aumentar rapidamente a geração em momentos de pico de consumo. Esse suporte é especialmente crítico no período entre o meio-dia e o início da noite, exato momento em que a geração solar começa a cair enquanto a demanda da população permanece elevada.

O executivo detalhou que a chamada rampa de geração era de aproximadamente 1 gigawatt a 1,5 gigawatt há cerca de dez anos. Hoje, esse volume disparou para cerca de 35 gigawatts, elevando exponencialmente a importância da capacidade de modulação rápida dessas usinas hidrelétricas.

“A hidrelétrica tem esse papel extremamente importante. Quando a solar, quando outras renováveis deixam de gerar, ou ainda não estão em plena capacidade, ela consegue garantir que o sistema funcione”, afirmou o vice-presidente da Auren durante o debate.

Apesar da relevância operacional, Guillaumon avalia que esse serviço essencial ainda não é plenamente reconhecido na remuneração das hidrelétricas. Para ele, embora as usinas recebam pela modulação, outros serviços prestados à rede elétrica — como a regulação de frequência — acabam não sendo totalmente considerados.

Diante desse cenário de transição, a Auren enxerga um sistema elétrico cada vez mais diversificado, combinando múltiplas fontes, expansão da transmissão, uso de baterias e a eventual repotenciação de usinas antigas. A abertura do mercado livre de energia para consumidores menores também exigirá simplificação drástica das ofertas pelas comercializadoras, comparando a evolução a planos de telefonia.

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