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A Amazon bloqueou o novo assistente de inteligência artificial da Meta, batizado de Muse, impedindo que a ferramenta realize compras automáticas dentro de sua plataforma de comércio eletrônico. A decisão da gigante do varejo expõe um racha na indústria de tecnologia sobre o controle do chamado “varejo agêntico”, modalidade na qual robôs tomam decisões financeiras e fecham transações em nome dos consumidores.

A varejista liderada por Andy Jassy alega falta de transparência no acesso do robô aos seus sistemas e reclama que não foi consultada pela dona do Facebook antes de ser incluída na lista de lojas atendidas pelo Muse. Em nota técnica, a Amazon afirmou que aplicativos de terceiros que compram em nome de clientes de outras empresas devem operar de forma transparente e respeitar a decisão de cada provedor de serviço de participar ou não, comparando o caso a aplicativos de delivery e restaurantes.

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Do outro lado, a Meta de Mark Zuckerberg aposta alto no Muse, que funciona como um assistente pessoal capaz de navegar na internet, comparar preços e finalizar pagamentos. Lançado em setembro nos Estados Unidos e no Canadá, o aplicativo registrou 1,8 milhão de downloads em apenas dez dias na App Store, superando o ritmo de estreia do ChatGPT. A recepção entusiasmada do mercado fez as ações da Meta dispararem 12%, atingindo a marca de US$ 778 por papel.

O movimento da Amazon é visto por especialistas do setor tanto como uma precaução de segurança quanto como uma estratégia agressiva de defesa de território comercial. Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a ascensão de assistentes virtuais ameaça o modelo de negócios tradicional das grandes lojas virtuais. Segundo ele, a partir do momento em que a pessoa tem seu próprio concierge digital, ela navega e descobre menos produtos diretamente no site, o que reduz drasticamente o tráfego orgânico e a exposição de ofertas.

Esta não é a primeira barreira erguida pela Amazon contra sistemas automatizados de concorrentes, já que a empresa também bloqueou acessos de robôs da Perplexity, do Google e da OpenAI. O especialista em inteligência artificial Álvaro Machado Dias pondera que, embora o Muse use a conta do próprio usuário para fazer compras, a identificação do robô ocorre por padrões de cliques e conexões de rede. Machado Dias alerta, no entanto, que o bloqueio constante pode se tornar insustentável no longo prazo, pois impedir o funcionamento da ferramenta acaba equivalendo a bloquear o próprio cliente da loja.

Juristas apontam que a restrição imposta pela Amazon abre espaço para um complexo debate concorrencial no ambiente de tecnologia e inovação. A advogada especialista em direito digital Mariana Battochio Stuart explica que a Amazon tem autonomia para definir quem acessa sua infraestrutura por motivos de segurança, mas ressalta que essa prerrogativa não pode se transformar em um instrumento abusivo de fechamento de mercado, especialmente se a empresa favorecer seu próprio assistente de compras, o Rufus, em detrimento de alternativas concorrentes.

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