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O termo “divórcio alpino” ganhou forte repercussão nas redes sociais nas últimas semanas, impulsionado por relatos de mulheres que vivenciaram experiências traumáticas durante aventuras em locais remotos. A expressão define a situação em que um parceiro, majoritariamente do gênero masculino, abandona a companheira — geralmente menos experiente e mais vulnerável — sozinha em meio a trilhas difíceis e perigosas.

O debate centralizou-se no julgamento de um alpinista amador de 37 anos na Áustria, acusado de homicídio culposo após deixar a namorada sozinha nas proximidades do pico Grossglockner, o ponto mais alto do país. A vítima acabou falecendo devido a um quadro grave de hipotermia, enquanto o homem se declarou inocente sob a alegação de ter saído em busca de socorro.

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Promotores do caso apontaram que o réu, identificado como Thomas P., ignorou chamadas telefônicas dos serviços de resgate apesar de ter sinal de celular disponível e falhou em pedir ajuda em tempo hábil. Durante o processo judicial, uma ex-namorada do alpinista prestou depoimento afirmando ter passado pela mesma situação na mesma montanha em 2023, relatando que ele a considerava lenta e se irritava com suas dificuldades.

A repercussão do caso encorajou centenas de usuárias em plataformas como Instagram, TikTok e X a compartilharem vivências semelhantes de abandono físico e emocional durante caminhadas isoladas. Os relatos ilustram situações em que os parceiros avançavam quilômetros à frente, ignorando o ritmo e a segurança de quem os acompanhava.

A origem da expressão remonta a uma crônica do escritor escocês-canadense Robert Barr, na qual um marido planejava eliminar a esposa nos Alpes suíços, embora o conceito não possua reconhecimento legal. Para especialistas, a dinâmica expõe padrões comportamentais ligados a perfis de apego evitativo, caracterizados pela recusa em lidar com estresse, conflitos e pela falta de empatia.

Segundo a psicóloga comportamental Jo Hemmings, o cenário inóspito das montanhas cria uma hierarquia instantânea de poder, onde o controle do ritmo e da rota serve como ferramenta de distanciamento e autoridade. Para a especialista, embora o abandono físico em trilhas seja extremo, o fundo emocional é dolorosamente familiar para muitas mulheres em relacionamentos abusivos.

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