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Pela quarta eleição consecutiva, os levantamentos de intenção de voto falharam ao prever o resultado da corrida para o governo do Rio de Janeiro. A imprecisão crônica nos 92 municípios fluminenses forçou os institutos de pesquisa a iniciar um debate profundo sobre os motivos que dificultam a aferição real do eleitorado no estado.

Nas últimas três disputas estaduais, um padrão se repetiu de forma implacável: o potencial de votos dos candidatos alinhados à direita foi sistematicamente subestimado pelas sondagens na véspera da votação. No último sábado, a Quaest projetava que o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) liderava com 49% dos votos válidos, enquanto o deputado estadual Douglas Ruas (PL) aparecia com 40%. Nas urnas, o cenário virou completamente e Ruas alcançou 49,27%, deixando Paes com 42,76%.

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O fenômeno intrigou os principais nomes do setor, que agora buscam variáveis específicas do território fluminense para explicar a discrepância. Maurício Moura, fundador do Ideia, aponta semelhanças com cidades do México que enfrentam o mesmo problema devido ao controle territorial do crime organizado. Para ele, cruzar dados de segurança pública tornou-se indispensável para compreender o comportamento do eleitor.

Felipe Nunes, da Quaest, destaca outro fator determinante na política do estado: o peso político das igrejas evangélicas. Segundo ele, o movimento de Douglas Ruas cresceu acima do precificado pelos institutos por causa da forte influência e mobilização religiosa, em um estado que concentra um índice de fiéis muito acima da média nacional.

O histórico de erros no Rio é antigo e inclui grandes divergências técnicas. Em 2014, o então Ibope divulgou pesquisa de boca de urna apontando Luiz Fernando Pezão (MDB) com 34% e Anthony Garotinho com 28%, mas quem avançou para o segundo turno foi Marcelo Crivella. Já em 2022, o Datafolha também falhou nas proporções exatas da vitória em primeiro turno de Cláudio Castro (PL).

Diante da repetição das falhas, institutos como Prefab, Atlas, GPP, Paraná Pesquisas, Real Time Big Data e Gerp reconhecem que perderam a leitura do pleito. Mário Marques, dono da Prefab, resume o diagnóstico ao apontar uma profunda desconexão do eleitor fluminense com a política tradicional, refletida em um índice massivo de indecisos na reta final que torna a previsão imprevisível.

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