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O impacto fiscal de um novo salário mínimo de R$ 1.741, que elevará as despesas do governo federal em R$ 54,6 bilhões, empurrou o debate sobre a Previdência Social para o centro da corrida presidencial de 2026. Com os gastos previdenciários estimados em R$ 1,218 trilhão para 2027 – uma alta de 7,92% em relação a 2026 –, os candidatos ao Palácio do Planalto se dividem entre a expansão de benefícios e a necessidade urgente de conter as contas públicas.

No coração do embate está a chamada desindexação, mecanismo que desvincula o reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, defende a manutenção das regras vigentes, prometendo aumentos reais acima da inflação para trabalhadores e aposentados, além de propor a regulação da contribuição previdenciária de profissionais de aplicativos.

Na oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) adota uma postura cautelosa. Embora seu plano de governo defenda uma “ampla revisão normativa infralegal” e o corte de pelo menos dez ministérios para reduzir a máquina pública, o candidato evitou se comprometer com a desvinculação em entrevista à TV Globo. Flávio afirmou que não pretende fazer economia “em cima dos aposentados”, mas não esclareceu se manterá o reajuste atrelado ao mínimo.

O discurso fiscal mais duro parte de Renan Santos (Missão), que propõe uma “PEC do Equilíbrio Fiscal” para desindexar os benefícios, corrigindo-os apenas pela inflação (IPCA). “Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência. Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria, tá? Vou deixar claro porque eu não sou populista fiscal”, alertou. Romeu Zema (Novo) segue linha parecida, sugerindo uma reforma “definitiva” que vincule a idade mínima à expectativa de vida, além de rever o crescimento de despesas obrigatórias.

Outros postulantes de centro e direita buscam um tom moderado. Ronaldo Caiado (PSD) garantiu que manterá o cálculo atual de reajuste por inflação e PIB, poupando a base da pirâmide social. “O pobre coitado pegando um salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz, pelo amor de Deus. Vamos dar o exemplo que um presidente precisa de dar. Vamos cortar na própria carne. Vamos para cima desses salários abusivos”, cobrou. Já Augusto Cury (Avante) propõe repor a inflação mais 1% de aumento real ao ano, de olho em uma classe média pujante.

Na ala de esquerda, a tônica é a revogação integral das reformas anteriores. Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU) pregam um aumento imediato de 100% no salário mínimo, rumo aos R$ 7.565,86 sugeridos pelo Dieese. Rui Costa Pimenta (PCO) defende um mínimo vital de pelo menos R$ 7.500 com escala móvel automática contra a inflação, enquanto Edmilson Costa (PCB) promete atingir o valor do Dieese em quatro anos e criar o “Banco dos Trabalhadores” para gerir os recursos da Previdência.

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