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Pesquisadores revelaram que o krill, espécie de fundamental importância para a cadeia alimentar do Oceano Antártico, mantém um hábito totalmente diferente do que as pesquisas científicas apontavam até então. O pequeno animal utiliza fontes hidrotermais, conhecidas como pequenos vulcões de águas profundas, como seu verdadeiro habitat permanente.
É a primeira vez na história que cientistas conseguem observar fêmeas ovígeras, ou seja, com ovos e capazes de se reproduzir, reunidas e se alimentando ativamente próximas a essas fontes hidrotermais. Essa coleta inédita de krill reprodutivo aconteceu a mais de 900 metros abaixo da superfície oceânica, representando a operação mais profunda já realizada na região.
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Durante a análise laboratorial das fêmeas capturadas, as pesquisadoras encontraram evidências contundentes de que a espécie se alimenta diretamente de micróbios quimiossintéticos. Esses microrganismos produzem carbono orgânico a partir de enxofre e outros compostos químicos emitidos pelas fontes vulcânicas submarinas, dispensando totalmente a dependência da luz solar.
Além disso, o estudo apontou que os animais apresentavam níveis elevados de minerais essenciais para a reprodução, como manganês, zinco e ferro. A descoberta foi concretizada quando a pesquisadora Kim Bernard observou os movimentos característicos da espécie durante expedição no polo sul, realizada em colaboração com o Instituto Oceanográfico Schmidt.
O krill antártico é objeto de estudo há mais de cem anos, mas o foco histórico das pesquisas sempre esteve concentrado nos trezentos metros superiores da coluna d’água. Como o crustáceo de cerca de um centímetro é a base alimentar principal das baleias, a pesca industrial desmedida da espécie atrai forte preocupação ambiental internacional e ameaça o turismo de observação de cetáceos no litoral brasileiro.
Atualmente, a pauta central gira em torno da pesca industrial do mini-camarão, que permite a captura de até 620 mil toneladas em áreas concentradas após o término de restrições anteriores. O governo brasileiro já manifestou apoio à criação de uma Área Marinha Protegida, exigindo que qualquer expansão na cota de captura esteja rigorosamente respaldada por critérios científicos e monitoramento ambiental consistente.
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