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O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) divulgou nesta terça-feira (6) um manifesto em que contesta oficialmente a reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará, afirmando categoricamente ter sido vítima de um esquema de roubo nas urnas. O tucano declarou que não cumprimentou o adversário vitorioso e atribuiu o resultado desfavorável a uma suposta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial que teria tomado o processo eleitoral no estado.
Elmano de Freitas foi reeleito logo no primeiro turno da votação, realizado no último domingo (4), ao conquistar 2.875.573 votos, o que representa 53,19% dos votos válidos. Por sua vez, Ciro Gomes obteve 2.498.891 sufrágios, equivalente a 46,22%. A diferença final entre os dois principais concorrentes ao Palácio da Abolição foi de exatos 376.682 votos.
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No documento divulgado à imprensa, o ex-governador detalha que uma transferência de 188.341 votos do adversário para a sua própria candidatura teria sido suficiente para alterar o desfecho da disputa. O número citado corresponde exatamente à metade da diferença numérica entre os dois candidatos, volume que produziria um empate técnico e impediria a definição do pleito já na primeira etapa.
O principal alvo das críticas de Ciro no âmbito jurídico foi uma decisão recente do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado havia concedido à campanha petista 30 segundos adicionais em cada inserção no rádio e na televisão, mas, como as emissoras não transmitiram o tempo no prazo regular, Toffoli determinou a compensação na sexta-feira e no sábado que antecederam o pleito.
Ciro argumenta que a medida possibilitou a exibição de mais de 900 comerciais de Elmano associados à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de candidatos ao Senado durante o período de silêncio eleitoral. Ele classificou a autorização do ministro como uma fraude final contra sua candidatura e questionou diretamente o impacto que essa bateria de propaganda teria tido sobre o eleitorado cearense.
Além das contestações sobre a condução jurídica e o processo de votação, o manifesto do tucano resgatou temas centrais de sua campanha, como os indicadores sociais e fiscais do estado. O ex-governador apontou dados relativos a índices de pobreza, homicídios, retrocessos na alfabetização e filas na saúde pública, além de mencionar um deficit nas contas públicas cearenses.
Apesar da gravidade das acusações e da formalização de uma reclamação junto à Justiça Eleitoral anunciada pelo grupo político, a assessoria de imprensa de Elmano de Freitas informou que o governador e seu entorno decidiram não comentar o teor do manifesto divulgado por Ciro Gomes.
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